domingo, 6 de junho de 2010

neruda

"Tu eras também uma pequena folha
que tremia no meu peito.
O vento da vida pôs-te ali.
A princípio não te vi: não soube
que ias comigo,
até que as tuas raízes
atravessaram o meu peito,
se uniram aos fios do meu sangue,
falaram pela minha boca,
floresceram comigo".

sexta-feira, 26 de março de 2010

tempos irremediáveis

nada como aquelas reações puramente humanas, escondidas, pra gente tombar de vez em quando, ein! porque, surpreendentemente, uma hora vem à tona. mas aí, se você tiver sorte, elas voltam a ficar submersas, dissimuladas. na verdade não sei bem se há sorte nisso, apenas vivencio a desvantagem de saber que não se sabe, nem agora nem nunca, lidar com isso.


ou é oito ou oitenta. ficar no meio termo deixou de ser sinônimo de astúcia.

terça-feira, 14 de julho de 2009

sinuca de bico

[...]

- Eu só espero que você ainda tenha amor por mim, independente da forma, entende?
- Se não me deixar pra lá, vai ficar sem aquele cara que te ama incondicionalmente. Se me deixar ir, corre o risco d'eu nunca mais olhar pra você com os mesmo olhos. Você é diferente, sempre foi. Não sei o porquê, inclusive já desisti de tentar entender. Assim como já desisti de tentar adormecer isso, ou alimentar. Resolvi deixar ir...
- Eu vou perder, nos dois casos. Mas aí eu paro e penso no que seria melhor pra tu.
- E se for o contrário? E se for você que vai embora? E eu ficar esperando, esperando, esperando?
- Desistí de quebrar a cabeça com hipóteses. E o que tu esperaria?
- Não sei bem. O que eu espero hoje em dia.
- E o que tu espera hoje em dia?
- Eu poderia dizer "você", mas não seria um verdade completa. Porque isso não é um pensamento válido pra mim atualmente. Acho que eu espero um fantasma. Um fantasma seu, é o que eu espero.

[...]


"não, meu bem, não adianta bancar o distante.
lá vem o amor nos dilacerar de novo". [C.F.A.]

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

"Cada coisa era cada coisa inteira, na união de suas infinitas partes. Mas e as sombras e o reflexos, esses que não se integravam em forma alguma, onde ficavam guardados? Para onde iria a parte das coisas que não cabia na própria coisa? Para o fundo do meu olho, esperando ofuscamento para vir à tona outra vez? Ou entre as próprias coisas-coisas, no espaço vazio entre o fim de uma parte e o começo de outra pequena parte da coisa inteira? Como um por trás do real, feito espírito de sombra e luz, claro-escuro escondido no mais de-dentro de um tronco de árvore ou no espaço entre um tijolo e outro ou no meio de dois fiapos de nuvem, onde?"


Caio F. Abreu

domingo, 23 de novembro de 2008

got some bad news this morning...

"I may be just a little selfish, all I have is the memory. Yet I never start to wonder, is it possible you hurt worse than me? [...] Who's gonna save my soul now? Who's gonna sing my song now? Oh, I know, I'm out of control now. Tired enough to lay my own soul down".

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

au revoir

à beira da cama o corpo fica.
silêncio, alguém ali dorme.
a janela ainda não está aberta,
prefere que o sol nem os pássaros o incomode.

seu braço está caído,
seus dedos acariciam o chão.
'mas é tarde, por que ainda dormes?
nem em sonhos encontras teu perdão?'

seus olhos estão abertos.
vazios, refletem seu passado.
'olha o rumo que tomaste!
já não suportas o teu fardo?'

naquela cama não há mais vida,
apenas um cálice de veneno e má sorte.
'o que não fizeste na vida,
haverás de fazer na morte?'

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

disorder

O fato é que a verdade
está indo além,
mas tão além
que deixou de ser verdade.

E agora eu tô aqui,
rindo incansavelmente
para o buraco da fechadura.


"I've got the spirit, but lose the feeling, feeling, feeling..."

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Here comes the sun, little darling!

[05:00 AM]


And I say it's all right.

sábado, 26 de abril de 2008

entre

O inferno fica longe, e o céu também.

sexta-feira, 28 de março de 2008

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domingo, 17 de fevereiro de 2008

meu vermelho,

Perdi o meu canto, teu encanto, dei lugar à solidão. Perdi a identidade, a vontade, perdi o chão. Perdi minhas roupas, minha bolsa, meus dias de sol, meu violão. Perdi o medo, perdi a coragem, perdi a mocidade e parte do coração. Limpei a vista para a flor mais bonita, e que agora em seu jardim de rosas cresce cinza, perdendo aos poucos sua atenção. Parei para o tempo, desci para o mundo, pedi informação ao desalento, enxerguei, talvez, com mais exatidão. Perdi o calor das palavras, a clareza do olhar, o aconchego do sorriso e até a calma de suas mãos. Perdi o bem quisto, o que antes nunca havia se perdido, parte da história, perdi até a solução. O que restou foi a saudade, com muito mais intensidade, agora atrelada a esse pobre coração.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

tum-tum,

Enquanto isso, as paredes sussurram verdades. E o que poderia ter sido evitado vive sufocado entre veias e artérias, como um tambor silencioso. Apenas tentativas frustradas de ultrapassar a caixa torácica e sentir, novamente, a brisa leve acariciar as entranhas. Livre.





Às vezes as palavras tornam-se mais transparentes do que deviam.
Voam soltas, sem a preocupação de onde vão pousar.

sábado, 22 de dezembro de 2007

I'm Not There

*esperando ansiosamente*


http://www.youtube.com/watch?v=CZGseissqX8



=)

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

[in]coerência

Simplesmente não sei. Tenho minhas divagações, mas prefiro não opinar.
As coisas são óbvias, porém complicamos para haver alguma graça.
Dizem que para tudo há uma saída. Acabamos de sair por uma e procuramos outra. O problema é que pensamos. Outro problema maior ainda é que pensamos demais. Por essas e outras, acabamos caindo em contradições. Eu digo sim, eu digo não. Decisões aleatoriamente pensadas, às vezes com causas infundadas. Repetição torna-se um erro.
Nada é certo, tudo é incerto. As palavras têm grande poder, mas não se sabe usá-las. Nexos e desconexos; assim resulta a relação entre as pessoas.
Os tempos estão mudando junto aos valores.
Na verdade, eles sempre foram os mesmos.
Ou quase nunca existiram.
Os valores.
Sabe-se lá.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

lazy eyes;

Acaba-se de perder a noção do tempo/espaço. Noção do que se vê, do que se pensa. As verdades e sentimentos saem do corpo, ficam lado a lado, agindo por si sós. Perde-se o controle dos sentidos, eles escapam e se chocam, partindo-se em fragmentos que lhe confundem e embaçam a vista. Deformações e ilusões o enganam, elas voam em redemoinhos coloridos e tipografados com palavras das gavetas mentais. Dispersa[mente], depara-se com sua própria imagem, triplicada e invertida, a cada olhar de canto do olho. Os sons ecoam, adormecem. Sua mente padece.