"Cada coisa era cada coisa inteira, na união de suas infinitas partes. Mas e as sombras e o reflexos, esses que não se integravam em forma alguma, onde ficavam guardados? Para onde iria a parte das coisas que não cabia na própria coisa? Para o fundo do meu olho, esperando ofuscamento para vir à tona outra vez? Ou entre as próprias coisas-coisas, no espaço vazio entre o fim de uma parte e o começo de outra pequena parte da coisa inteira? Como um por trás do real, feito espírito de sombra e luz, claro-escuro escondido no mais de-dentro de um tronco de árvore ou no espaço entre um tijolo e outro ou no meio de dois fiapos de nuvem, onde?"
Caio F. Abreu
Terça-feira, 3 de Fevereiro de 2009
Domingo, 23 de Novembro de 2008
got some bad news this morning...
"I may be just a little selfish, all I have is the memory. Yet I never start to wonder, is it possible you hurt worse than me? [...] Who's gonna save my soul now? Who's gonna sing my song now? Oh, I know, I'm out of control now. Tired enough to lay my own soul down".
Segunda-feira, 3 de Novembro de 2008
au revoir
à beira da cama o corpo fica.
silêncio, alguém ali dorme.
a janela ainda não está aberta,
prefere que o sol nem os pássaros o incomode.
seu braço está caído,
seus dedos acariciam o chão.
'mas é tarde, por que ainda dormes?
nem em sonhos encontras teu perdão?'
seus olhos estão abertos.
vazios, refletem seu passado.
'olha o rumo que tomaste!
já não suportas o teu fardo?'
naquela cama não há mais vida,
apenas um cálice de veneno e má sorte.
'o que não fizeste na vida,
haverás de fazer na morte?'
Domingo, 26 de Outubro de 2008
Segunda-feira, 15 de Setembro de 2008
disorder
O fato é que a verdade
está indo além,
mas tão além
que deixou de ser verdade.
E agora eu tô aqui,
rindo incansavelmente
para o buraco da fechadura.
"I've got the spirit, but lose the feeling, feeling, feeling..."
Quinta-feira, 3 de Julho de 2008
Sábado, 26 de Abril de 2008
Sexta-feira, 28 de Março de 2008
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Domingo, 17 de Fevereiro de 2008
meu vermelho,
Perdi o meu canto, teu encanto, dei lugar à solidão. Perdi a identidade, a vontade, perdi o chão. Perdi minhas roupas, minha bolsa, meus dias de sol, meu violão. Perdi o medo, perdi a coragem, perdi a mocidade e parte do coração. Limpei a vista para a flor mais bonita, e que agora em seu jardim de rosas cresce cinza, perdendo aos poucos sua atenção. Parei para o tempo, desci para o mundo, pedi informação ao desalento, enxerguei, talvez, com mais exatidão. Perdi o calor das palavras, a clareza do olhar, o aconchego do sorriso e até a calma de suas mãos. Perdi o bem quisto, o que antes nunca havia se perdido, parte da história, perdi até a solução. O que restou foi a saudade, com muito mais intensidade, agora atrelada a esse pobre coração.
Sexta-feira, 8 de Fevereiro de 2008
tum-tum,
Enquanto isso, as paredes sussurram verdades. E o que poderia ter sido evitado vive sufocado entre veias e artérias, como um tambor silencioso. Apenas tentativas frustradas de ultrapassar a caixa torácica e sentir, novamente, a brisa leve acariciar as entranhas. Livre.
Às vezes as palavras tornam-se mais transparentes do que deviam.
Voam soltas, sem a preocupação de onde vão pousar.
Sábado, 22 de Dezembro de 2007
Segunda-feira, 17 de Dezembro de 2007
[in]coerência
Simplesmente não sei. Tenho minhas divagações, mas prefiro não opinar.
As coisas são óbvias, porém complicamos para haver alguma graça.
Dizem que para tudo há uma saída. Acabamos de sair por uma e procuramos outra. O problema é que pensamos. Outro problema maior ainda é que pensamos demais. Por essas e outras, acabamos caindo em contradições. Eu digo sim, eu digo não. Decisões aleatoriamente pensadas, às vezes com causas infundadas. Repetição torna-se um erro.
Nada é certo, tudo é incerto. Atrofia-se o cérebro da humanidade.
As palavras têm grande poder, mas não se sabe usá-las.
Nexos e desconexos; assim resulta a relação entre as pessoas.
Os tempos estão mudando junto aos valores.
Na verdade, eles sempre foram os mesmos.
Ou quase nunca existiram.
Os valores.
Sabe-se lá.
Que os dias evaporem, e cheguemos a lugar algum.
E assim encontremos a sapiência que há na ignorância.
Pelo caminho.
Terça-feira, 11 de Dezembro de 2007
lazy eyes;
Acaba-se de perder a noção do tempo/espaço. Noção do que se vê, do que se pensa. As verdades e sentimentos saem do corpo, ficam lado a lado, agindo por si sós. Perde-se o controle dos sentidos, eles escapam e se chocam, partindo-se em fragmentos que lhe confundem e embaçam a vista. Deformações e ilusões lhe enganam, elas voam em redemoinhos coloridos e tipografados com palavras das gavetas mentais. Dispersa[mente], depara-se com sua própria imagem, triplicada e invertida, a cada olhar de canto do olho. Os sons ecoam, adormecem. Sua mente padece.
Terça-feira, 4 de Dezembro de 2007
oh, fuck.
tu vem, daliana?
rápido, daliana.
paciência, daliana.
tu sabe, daliana.
não sei, daliana.
por que, daliana?
eu te disse, daliana.
tô com medo, daliana.
é cruel, daliana.
não dá, daliana.
me desculpa, daliana?
eu quero, daliana.
tu decide, daliana.
mas, e aí, daliana?
