domingo, 17 de fevereiro de 2008
meu vermelho,
Perdi o meu canto, teu encanto, dei lugar à solidão. Perdi a identidade, a vontade, perdi o chão. Perdi minhas roupas, minha bolsa, meus dias de sol, meu violão. Perdi o medo, perdi a coragem, perdi a mocidade e parte do coração. Limpei a vista para a flor mais bonita, e que agora em seu jardim de rosas cresce cinza, perdendo aos poucos sua atenção. Parei para o tempo, desci para o mundo, pedi informação ao desalento, enxerguei, talvez, com mais exatidão. Perdi o calor das palavras, a clareza do olhar, o aconchego do sorriso e até a calma de suas mãos. Perdi o bem quisto, o que antes nunca havia se perdido, parte da história, perdi até a solução. O que restou foi a saudade, com muito mais intensidade, agora atrelada a esse pobre coração.
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008
tum-tum,
Enquanto isso, as paredes sussurram verdades. E o que poderia ter sido evitado vive sufocado entre veias e artérias, como um tambor silencioso. Apenas tentativas frustradas de ultrapassar a caixa torácica e sentir, novamente, a brisa leve acariciar as entranhas. Livre.
Às vezes as palavras tornam-se mais transparentes do que deviam.
Voam soltas, sem a preocupação de onde vão pousar.
Às vezes as palavras tornam-se mais transparentes do que deviam.
Voam soltas, sem a preocupação de onde vão pousar.
sábado, 22 de dezembro de 2007
segunda-feira, 17 de dezembro de 2007
[in]coerência
Simplesmente não sei. Tenho minhas divagações, mas prefiro não opinar.
As coisas são óbvias, porém complicamos para haver alguma graça.
Dizem que para tudo há uma saída. Acabamos de sair por uma e procuramos outra. O problema é que pensamos. Outro problema maior ainda é que pensamos demais. Por essas e outras, acabamos caindo em contradições. Eu digo sim, eu digo não. Decisões aleatoriamente pensadas, às vezes com causas infundadas. Repetição torna-se um erro.
Nada é certo, tudo é incerto. As palavras têm grande poder, mas não se sabe usá-las. Nexos e desconexos; assim resulta a relação entre as pessoas.
Os tempos estão mudando junto aos valores.
Na verdade, eles sempre foram os mesmos.
Ou quase nunca existiram.
Os valores.
Sabe-se lá.
As coisas são óbvias, porém complicamos para haver alguma graça.
Dizem que para tudo há uma saída. Acabamos de sair por uma e procuramos outra. O problema é que pensamos. Outro problema maior ainda é que pensamos demais. Por essas e outras, acabamos caindo em contradições. Eu digo sim, eu digo não. Decisões aleatoriamente pensadas, às vezes com causas infundadas. Repetição torna-se um erro.
Nada é certo, tudo é incerto. As palavras têm grande poder, mas não se sabe usá-las. Nexos e desconexos; assim resulta a relação entre as pessoas.
Os tempos estão mudando junto aos valores.
Na verdade, eles sempre foram os mesmos.
Ou quase nunca existiram.
Os valores.
Sabe-se lá.
terça-feira, 11 de dezembro de 2007
lazy eyes;
Acaba-se de perder a noção do tempo/espaço. Noção do que se vê, do que se pensa. As verdades e sentimentos saem do corpo, ficam lado a lado, agindo por si sós. Perde-se o controle dos sentidos, eles escapam e se chocam, partindo-se em fragmentos que lhe confundem e embaçam a vista. Deformações e ilusões o enganam, elas voam em redemoinhos coloridos e tipografados com palavras das gavetas mentais. Dispersa[mente], depara-se com sua própria imagem, triplicada e invertida, a cada olhar de canto do olho. Os sons ecoam, adormecem. Sua mente padece.
terça-feira, 4 de dezembro de 2007
oh, fuck.
tu vem, daliana?
rápido, daliana.
paciência, daliana.
tu sabe, daliana.
não sei, daliana.
por que, daliana?
eu te disse, daliana.
tô com medo, daliana.
é cruel, daliana.
não dá, daliana.
me desculpa, daliana?
eu quero, daliana.
tu decide, daliana.
mas, e aí, daliana?
rápido, daliana.
paciência, daliana.
tu sabe, daliana.
não sei, daliana.
por que, daliana?
eu te disse, daliana.
tô com medo, daliana.
é cruel, daliana.
não dá, daliana.
me desculpa, daliana?
eu quero, daliana.
tu decide, daliana.
mas, e aí, daliana?
sexta-feira, 30 de novembro de 2007
sábado, 17 de novembro de 2007
terça-feira, 13 de novembro de 2007
até quando?
Chega de pieguismo!
Digamos 'não' ao sentimentalismo e às palavras doces.
Ao platônico, ao disfarçado. Ao efêmero, ao acuado.
Ao eficiente, ao diferente. Ao devastador, ao permanente.
... não!
Digamos 'não' ao sentimentalismo e às palavras doces.
Ao platônico, ao disfarçado. Ao efêmero, ao acuado.
Ao eficiente, ao diferente. Ao devastador, ao permanente.
... não!
domingo, 4 de novembro de 2007
Lá dos fundos;
O vazio de ontem foi a tua ausência batendo às 2:12 da manhã, na porta dos meus pensamentos noturnos. E sem cerimônia foi entrando, ocupando todo o espaço da sala de estar.
quinta-feira, 11 de outubro de 2007
04:13 am
Eu canto pra você, meu bem,
toda a malícia que guardo no peito,
com todos os gestos do calor do meu afeto.
Eu canto pra você todas as passagens,
as descobertas do meu desejo
e toda sua [falsa]idade.
É pra você que eu grito toda a minha vaidade,
minha não-modernidade
de romântica incurável.
Sou eu quem sussurra em teu ouvido,
te digo o que há de mais bonito
e alimento a tua falsa modéstia.
Eu canto o teu encanto,
te mostro todo o meu pranto
e, ainda assim, te faço jorrar de tão feliz.
Te falo as minhas vontades,
assim, sem nenhuma ingenuidade,
que me deixam por um triz.
Eu canto pra você todos os sorrisos contados,
todos os medos guardados,
toda a insegurança e amor.
Ah, l'amour.
E mais uma vez eu te digo,
se um dia ainda cruzares comigo,
larga tudo e vem embora,
eu te carrego nos braços,
faço da tua a minha hora.
toda a malícia que guardo no peito,
com todos os gestos do calor do meu afeto.
Eu canto pra você todas as passagens,
as descobertas do meu desejo
e toda sua [falsa]idade.
É pra você que eu grito toda a minha vaidade,
minha não-modernidade
de romântica incurável.
Sou eu quem sussurra em teu ouvido,
te digo o que há de mais bonito
e alimento a tua falsa modéstia.
Eu canto o teu encanto,
te mostro todo o meu pranto
e, ainda assim, te faço jorrar de tão feliz.
Te falo as minhas vontades,
assim, sem nenhuma ingenuidade,
que me deixam por um triz.
Eu canto pra você todos os sorrisos contados,
todos os medos guardados,
toda a insegurança e amor.
Ah, l'amour.
E mais uma vez eu te digo,
se um dia ainda cruzares comigo,
larga tudo e vem embora,
eu te carrego nos braços,
faço da tua a minha hora.
segunda-feira, 1 de outubro de 2007
poderia ser doce,
But the thoughts we try to deny
Take a toll upon our lives
We struggle on in depths of pride
Tangled up in single minds
.
Take a toll upon our lives
We struggle on in depths of pride
Tangled up in single minds
.
sábado, 15 de setembro de 2007
unlucky.
Eu esperei tanto por esse dia, o dia em que tudo o que mais desejei nesses últimos meses estaria bem em frente aos meus olhos. E eu iria poder sentir todo o calor e emoção estremecer o corpo, vibrar com cada palavra pronunciada e abrir os abraços para os sentimentos escondidos por trás daquelas frases. Sei que seria complicado, muitos obstáculos, mas no fim valeria à pena. Talvez até rolasse lágrima pelo rosto, entende? A gente nunca sabe quando vai ser pego de supresa.
Ficava imaginando cada cena na minha cabeça, do início ao fim. Do 'oi, tô aqui', até o 'até mais, quem sabe?'. A respiração pára, o coração acelera. Eu conseguia sentir daqui a movimentação, todos os passos, estava se aproximando. Mas eis que acontece o inimaginável, o indesejado. Eu precisava respirar fundo, pois a bomba chegara aos meus ouvidos...
Ô, cara, vou mais não pra Incubus. =/
Ficava imaginando cada cena na minha cabeça, do início ao fim. Do 'oi, tô aqui', até o 'até mais, quem sabe?'. A respiração pára, o coração acelera. Eu conseguia sentir daqui a movimentação, todos os passos, estava se aproximando. Mas eis que acontece o inimaginável, o indesejado. Eu precisava respirar fundo, pois a bomba chegara aos meus ouvidos...
Ô, cara, vou mais não pra Incubus. =/
terça-feira, 28 de agosto de 2007
O dia que Júpiter encontrou Saturno.
[...]
- E que uma palavra ou gesto, seu ou meu, seria o suficiente para modificar nossos roteiros.
- Mas não seria natural.
- Natural é as pessoas se encontrarem e se perderem.
- Natural é encontrar. Natural é perder.
- Linhas paralelas se encontram no infinito.
- O infinito não acaba. O infinito é nunca.
- Ou sempre.
[...]
Caio Fernando Abreu, Morangos Mofados.
- E que uma palavra ou gesto, seu ou meu, seria o suficiente para modificar nossos roteiros.
- Mas não seria natural.
- Natural é as pessoas se encontrarem e se perderem.
- Natural é encontrar. Natural é perder.
- Linhas paralelas se encontram no infinito.
- O infinito não acaba. O infinito é nunca.
- Ou sempre.
[...]
Caio Fernando Abreu, Morangos Mofados.
domingo, 19 de agosto de 2007
quando nem sempre é opcional.
E é nos dias frios e chuvosos que mais se sente sua presença.
Ao sair da cama e encostar os pés no chão frio, fitando o vazio do quarto. No silêncio fúnebre do fim da madrugada, na névoa que encobre a calçada. Na noite que ainda ecoa em cada cômodo, na janela embaçada.
Ao respirar e nada mais escutar além do ar gelado entrando pelas narinas. No andar vago, olhar perdido. No cheiro de mofo nas roupas, café velho na garrafa. Nos jornais acumulados ao pé da porta, notícias passadas.
Ao tocar Beth Gibbons, e apenas ouvir. Na camisa esquecida, jogada pela casa. Nas paredes cinzas, marcadas pelo vermelho já envelhecido. Na água que cai lá fora e molha os pensamentos.
A solidão, como fiel companheira.
Ao sair da cama e encostar os pés no chão frio, fitando o vazio do quarto. No silêncio fúnebre do fim da madrugada, na névoa que encobre a calçada. Na noite que ainda ecoa em cada cômodo, na janela embaçada.
Ao respirar e nada mais escutar além do ar gelado entrando pelas narinas. No andar vago, olhar perdido. No cheiro de mofo nas roupas, café velho na garrafa. Nos jornais acumulados ao pé da porta, notícias passadas.
Ao tocar Beth Gibbons, e apenas ouvir. Na camisa esquecida, jogada pela casa. Nas paredes cinzas, marcadas pelo vermelho já envelhecido. Na água que cai lá fora e molha os pensamentos.
A solidão, como fiel companheira.
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